Ao escrever sobre a sensibilidade baudelairiana, Walter Benjamin inscreve a problemática da aura como uma "realidade da qual nenhum olho se satisfaz". De fato, uma explicação sobre a obra de arte nunca nos satisfaz. O acesso a uma compreensão da arte por critérios que lhe são impostos de fora (metafísica da arte), em vez de extraídos de seu próprio funcionamento (imanência ou erótica da arte), começa com a pergunta: “o que isso significa?”.
A obra de arte é, frequentemente, objeto de interpretação e explicação. Interpretam, historicizam, "decifram", como se a arte tivesse um “significado oculto” esperando para ser revelado. Para nós, a arte não possui um significado próprio; ela funciona como um dispositivo cuja finalidade é produzir sínteses passivas do inconsciente.
Susan Sontag dizia: “É preciso substituir a interpretação por uma erótica da arte.” A arte fomenta desejo: ela não pede uma explicação, mas sim supõe uma aura: "Uma realidade da qual nenhum olho se satisfaz". Nesse sentido, a arte não se fecha em nenhuma interpretação.
Não se trata de produzir aquilo que Jacques Rancière chamou de "autotelismo da linguagem". Paradoxalmente, quando a obra de arte é apreendida pelo o que ela oferece e não por axiomáticas ou programas externos à sua realidade plástica, é que ela nos oferece toda a sua potência de abertura heurística. Propomos a substituição de uma história da arte que busca o "belo", por uma erótica da arte que valoriza o "êxtase", o "desejo" e o "terror".
ERÓTICA DA ARTE é um curso que abandona a interpretação e propõe outro modo de ver: a arte como força vital, como bloco de sensações que cria presença, pensamento e realidade. A história da arte como Traumdeutung, conforme a exigência de Walter Benjamin. A arte como produção de sínteses passivas do inconsciente. Em vez da história dos grandes artistas, examinamos uma história da percepção humana, uma história “vidente”. Aqui, a obra não “significa”: ela funciona, vibra, resiste e afirma vida (sínteses legítimas). Sempre em diálogo direto com as obras, o curso apresenta os conceitos deleuzianos de sínteses passivas do inconsciente, perceptos e afetos, bem como as concepções de espaço-tempo e aura em Benjamin, abrindo um território sensível onde ver e pensar se tornam inseparáveis.
PARA QUEM É: Artistas, historiadores da arte, filósofos, estudantes de artes visuais, cinema e estética, bem como interessados em novas formas de ver, sentir e pensar a arte.
O QUE VOCÊ VAI APRENDER:
Olhar a arte para além da interpretação, dos significados e das biografias.
A arte como produção de sínteses passivas do inconsciente.
A questão da aura na teoria da arte.
Compreender a diferença entre interpretar uma obra e experimentá-la a partir de seus efeitos sensíveis.
Compreender como a arte cria espaço e tempo próprios.
Analisar obras a partir de seus blocos de sensação, e não de conteúdos.
Pensar a história da arte como história da percepção e da sensibilidade.
DETALHES DO CURSO:
Inscreve-se agora! Todo início de mês abrem turmas novas! Próxima turma: Dia 1 de junho de 2026.
Encontros: Serão 4 encontros online ao vivo (aulas síncronas) aos sábados, das 09h00 às 11h00 (horário de Brasília), totalizando oito horas de curso.
Início: Dia 1 de junho de 2026.
Investimento: R$ 190,00 em até 4 vezes sem juros ou em até 12 vezes com acréscimo.
*Após o pagamento, será enviado a você um formulário com o link para participação no curso online ao vivo.
O QUE VOCÊ RECEBE:
Material didático (PDF).
Inclusão (se quiser) em grupo para estudos.
Certificado de conclusão de curso.
MÓDULOS:
Módulo 1: CONTRA A INTERPRETAÇÃO
Módulo 2: A OBRA DE ARTE E A QUESTÃO DA AURA
Módulo 3: PERCEPTOS E AFETOS: A LÓGICA DA SENSAÇÃO
Módulo 4: HISTÓRIA DA PERCEPÇÃO E DO PENSAMENTO-ARTISTA
Módulo 5: A ARTE E AS SÍNTESES PASSIVAS DO INCONSCIENTE: PROPOSTAS PARA UMA ERÓTICA DA ARTE
METODOLOGIA:
Aulas expositivas dialogadas.
Análise de obras, apresentação e disponibilização de material didático.
Vagas limitadas, garanta já a sua!