Letras Maquínicas
Jan. 2026
Karl Marx Psiquiatra
Por Alvaro Luiz.
Para superar o idealismo na psiquiatria, Deleuze e Guattari propõe o Marx psiquiatra! Para Deleuze e Guattari, o desejo não é falta, mas produção.
Essa tese vem diretamente de uma leitura muito particular de Marx.
No Anti-Édipo, Deleuze e Guattari rompem com a tradição que define o desejo como algo que nasce da falta. Diferentemente de Freud e do idealismo clássico, eles afirmam: desejar é produzir realidade.
E aqui entra Marx — especialmente o Marx de 1844. Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos, Marx pensa o ser humano como um ser objetivo, inseparável da natureza. Não existe um sujeito de um lado e o mundo do outro.
Existe uma unidade viva, produtiva, material.
É isso que permite a Deleuze e Guattari afirmar: não existe falta, existe produção desejante. O desejo não busca um objeto perdido —
ele se engata diretamente nas condições reais de existência.
Mas o capitalismo distorce tudo isso. Ao organizar a produção de forma alienada, ele transforma o desejo em medo, carência e fantasma.
A falta não está no sujeito — ela é produzida socialmente.
Pensar o desejo como produção é, então, um gesto político.
É recuperar o desejo como força material, histórica e coletiva.
Como diriam Deleuze e Guattari: não somos seres da falta — somos máquinas desejantes.
Se interessou pelo tema? Então considere se matricular no curso Análise do Desejo: Fundamentos da Clínica Materialista.